Ninguém entendeu nossa ideia no início, mas agora ela vale mais de US$ 1 bilhão
Howard Liu, que trabalha no Vale do Silício, polo tradicional de tecnologia e negócios nos EUA, acredita que sua ideia poderia render dezenas de bilhões de dólares. Se tiver sorte, diz ele à BBC, sua empresa, AirTable, será a responsável por executá-la.
“É uma oportunidade muito grande, não muito diferente em escala da Amazon, do Facebook ou do Google”, afirma ele, sem ironia.
A grande ideia? Planilhas, mas melhores. Planilhas, mas mais ricas.
As planilhas são comumente usadas por profissionais como contadores para classificar dados, produzir gráficos e somar. Mas muitos de nós as consideramos muito técnicas para serem usadas.
O AirTable, inventado por Liu, muda isso, diz ele, tornando mais fácil usá-las, para que até as pessoas que normalmente não possuem habilidades de codificação – como criadores de gado – conseguem configurar sistemas de nuvem complexos para o que fazem, como controlar vacas e equipamentos.
‘Olhar perplexo’
O aplicativo se tornou um grande sucesso, atraindo clientes grandes, como a empresa de entretenimento Netflix, a montadora de carros elétricos Tesla e a publicação Time.
A empresa vale US$ 1,1 bilhão (R$ 4 bi), com base em sua última rodada de financiamento, apesar de ter apenas um produto no mercado há quatro anos.
Explicar o conceito aos investidores era difícil nos primeiros dias da empresa, admite Liu, que cofundou o negócio em 2012 e também é o diretor-executivo da AirTable. Não parecia exatamente uma ideia nova.
“O conceito de uma planilha é anterior à computação. As planilhas foram o primeiro aplicativo.”
Quando ele e seus parceiros iam a reuniões de investidores, eles apresentavam muito pouco do que os investidores normalmente esperavam ouvir.
“Você vê por aí essas apresentações que mostram um gráfico de crescimento, tamanho de mercado e esse tipo de coisa. As nossas não eram assim.”
Em vez disso, eles fizeram um argumento filosófico sobre o AirTable e como ele poderia transformar o mundo do trabalho.
“Sinceramente, acho que houve muita perplexidade. Lembro-me claramente de alguns casos, mesmo com os investidores que disseram ‘sim’, quando disseram, também comentaram ‘não entendemos exatamente o que você está falando’.”
Por fim, o que atraiu esses investidores foi a confiança na própria equipe da AirTable, o que Liu diz que talvez tenha mais importância em um estágio tão inicial.
“Há muitas maneiras de uma boa ideia fracassar com uma equipe ruim, enquanto mesmo uma ideia desconhecida com uma grande equipe pode ter sucesso.”
‘A gente não era chinês?’
Liu cresceu em College Station, Texas, “a duas horas de Houston e a três horas de Dallas”.
Ele brinca que seu histórico familiar é tão complicado que sua mãe nem tentou explicá-lo a ele até que tivesse 10 anos de idade.
“Todos os meus quatro avós eram coreanos”, diz ele. “Mas durante a Segunda Guerra Mundial eles se mudaram, como muitos coreanos fizeram, para a China. Meus pais nasceram na China, mas se mudaram para os Estados Unidos antes de eu nascer.”
Seus pais pensaram que ele ficaria “muito confuso” com esse tipo de história, e não foi até ele ter que fazer um ensaio sobre a história da família para a escola que lhe foi explicado.
“Entrevistei meus avós e lembro de ter pensado ‘espere um pouco, pensei que éramos chineses?’ Eu estava superconfuso.”
Menos confuso foi aprender a trabalhar com código. Aos 13 anos, Liu pegou um dos livros de seu pai sobre C++, a linguagem de programação, e aprendeu sozinho em questão de semanas.
Com apenas 16 anos, ele começou a estudar design computacional na Universidade Duke, no Estado da Carolina do Norte. Foi ali que conheceu seus posteriores cofundadores da AirTable, Andrew Ofstad e Emmett Nicholas, embora os três só viessem a trabalhar juntos mais tarde em suas vidas.
